Senador divulga nota desmentindo informações sobre Smartmatic; TSE reforça que empresa não fabrica urnas brasileiras
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reafirmou sua confiança nas urnas eletrônicas brasileiras nesta terça-feira (28). A manifestação veio após repercussão negativa de declarações feitas durante encontro com diplomatas, nas quais o senador citou informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Polêmica sobre a Smartmatic
Durante o encontro diplomático, Flávio Bolsonaro mencionou de forma equivocada uma suposta ligação entre a empresa Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras. A afirmação contradiz o posicionamento oficial do TSE, que reafirma categoricamente que a Smartmatic não participa da fabricação, da programação ou da operação das urnas utilizadas no Brasil.
Nota oficial da pré-campanha
Em resposta à polêmica, o senador divulgou nota oficial assinada junto ao coordenador-geral da pré-campanha, Rogério Marinho, e pela coordenadora jurídica, Maria Claudia Bucchianeri. No comunicado, a equipe afirmou que Flávio Bolsonaro apenas mencionou "fatos públicos" e defendeu a presença de observadores internacionais nas eleições de 2026.
Contudo, a nota não esclareceu a origem das informações sobre a Smartmatic nem explicou por que o senador teria mencionado dados desmentidos pela própria Corte Eleitoral.
TSE reforça segurança do sistema
O Tribunal Superior Eleitoral, por sua vez, voltou a reafirmar sua posição sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro. Segundo a Corte, a Smartmatic não participa de nenhuma etapa relacionada às urnas eletrônicas nacionais. O TSE mantém este entendimento desde 2017.
A declaração do tribunal também serviu para alertar sobre riscos de desinformação. Ministros da Corte lembraram o caso do ex-deputado Fernando Francischini, que perdeu seu mandato em 2021 após divulgar informações falsas sobre as urnas eletrônicas.
Comparação com encontro de 2022
Ministros do TSE também compararam o episódio ao encontro promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022, quando questões sobre a segurança do sistema eleitoral também foram levantadas. A comparação reforça a preocupação da Corte com a disseminação de informações equivocadas sobre o processo eleitoral.
Contexto político
A polêmica ocorre em momento estratégico da pré-campanha presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro busca se consolidar como principal candidato da oposição, enfrentando competição de outros nomes do espectro político. Críticos apontam que mencionar informações desmentidas sobre urnas eletrônicas pode prejudicar a credibilidade do candidato junto a eleitores e à comunidade internacional.
Da redação Naylton Santanna
