Sandra Lima Alves foi morta a facadas em um caso tratado pela polícia como feminicídio; já Tailane Vitória dos Santos Ferreira foi assassinada a tiros em via pública
No primeiro caso, a Polícia Civil apontou feminicídio. O principal suspeito é Maicon Nascimento Soares, companheiro de
Sandra, que foi preso em flagrante. As investigações iniciais indicam que o crime teria sido motivado por ciúmes e pela suspeita de um relacionamento extraconjugal atribuída à vítima pelo agressor. Sandra ainda foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.No segundo caso, Tailane foi surpreendida em via pública por um homem em uma motocicleta, que efetuou os disparos e fugiu logo em seguida. A Polícia Civil informou que a autoria e a motivação ainda estão sendo apuradas. Até o momento, esse homicídio não foi oficialmente classificado pelas autoridades como feminicídio.
Mesmo com circunstâncias diferentes, os dois episódios expõem um cenário de vulnerabilidade que vai além dos casos isolados. No Brasil, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. O total representa alta de 4,7% em relação a 2024 e crescimento de 14,5% nos últimos cinco anos.
A síntese nacional é alarmante: a violência contra a mulher cresceu e se espalha tanto dentro quanto fora de casa. Pesquisa do próprio Fórum aponta que 37,5% das brasileiras — o equivalente a 21,4 milhões de mulheres — sofreram algum tipo de violência ou agressão no último ano. Parceiro íntimo e ex-parceiro aparecem entre os principais autores, enquanto a residência segue como o principal local das agressões.
Outro dado que ajuda a explicar a gravidade do problema no interior é a fragilidade da rede de proteção. Segundo a nota técnica mais recente do Fórum, cidades com até 100 mil habitantes concentram 50% dos feminicídios do país, embora reúnam 41% da população feminina. Além disso, mais de 70% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não possuem nenhum serviço especializado para atender mulheres em situação de violência, e 86,9% das vítimas de feminicídio não tinham medida protetiva vigente no momento da morte.
Os números também aparecem nos canais oficiais de denúncia. De janeiro a julho de 2025, o Ligue 180 registrou 86.025 denúncias de violência contra mulheres no país, aumento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2024. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo orientação e encaminhamento para a rede de proteção.
